Quarta-feira, Junho 30, 2004
Além do que se vê
Anos atrás, imbuído daquele velho sentimento de me sentir capaz de transformar pessoas e opiniões, resolvi que utilizaria a ferramenta conhecida por e-mail em uma ferramenta útil, enfim. E não era o caso de formar listas ativistas, divulgar petições ou engrossar correntes diversas. Isto definitivamente não me contentava, muito menos me convencia. Tratava-se do simples gesto de fazer uso passivo do endereço eletrônico daqueles cuja audiência poderia considerá-los um arauto da sabedoria e, por certo, possuíam opiniões contrárias das minhas. Era quase uma agonia ler uma coluna impressa ou na Internet e discordar com todas as forças do mundo sem tomar qualquer atitude. Ainda mais quando eu tinha o e-mail dos autores acompanhando a assinatura. Entendia que em épocas remotas tal oportunidade de interação seria uma bênção, e eu simplesmente não poderia dispensar a única forma de protesto aparentemente possível. Hoje as coisas mudaram, ainda que na verdade eu nunca tenha me livrado por completo desta "mania". Contudo, meu poder de indignação está correndo para o lado oposto dos anos, e sobre isso eu cansei de tentar ter controle.
Fato é, mesmo não querendo admitir, eu enriqueci meu universo pessoal com esse escambo de experiências, e muitas vezes pensei estar ensinando quando, na verdade, estava sendo ensinado (capricha no clichê, seu viado). E foi em uma troca de e-mails pouco calorosa com um jornalista chamado René de Paula Jr. que eu aprendi um conceito muito interessante chamado "hiper-realismo". Começou quando o cara resolveu por bem escrever uma crônica batizada "Mire no peito: quando o inimigo é o próprio jogo", onde, dentre outras coisas, alertava sobre perigo dos jogos eletrônicos violentos e os malefícios psicológicos que poderiam afligir a audiência. O petulante, em um texto só, abordou (leia escrachou) uma das minhas predileções, videogames, e ainda se valeu de um conservadorismo de R$ 1,99. Lá fui eu escrever uma missiva quilométrica alertando o autor para a sua irresponsabilidade ao criticar o que desconhece, para os perigos do puritanismo barato, e de como os videogames, assim como a música (roque, né?), são sempre os álibis mais fáceis para tirar a culpa de uma sociedade impotente perante seus jovens, com um ambiente familiar irresponsável e um sistema educacional falido – uma frase quase feita.
É bem verdade que as palavras de René possuíam um tom exagerado, mas é certo também que a minha total inabilidade em interpretar de forma correta o seu texto vinha justamente do desconhecimento de tal conceito. Por hiper-realismo, um termo comumente utilizado para indicar uma inclinação artística onde pintores se valem desta técnica em contraposição ao surrealismo, entende-se a amplificação minuciosa de cada aspecto do mundo ao nosso redor, distorcendo o convencional de modo a sobrar um panorama mais real que a própria realidade, fantástico mas ainda veraz. Este efeito de manipulação pode ser traduzido e aplicado em diversas outras mídias, e, dependendo da forma como isto é feito, acabamos por nos dessensibilizar e perder alguns parâmetros que servem como vínculos com o mundo real. Tiramos nossos pés do chão involuntariamente para realidades cada vez mais fantásticas, e, quando o tocamos novamente, nos decepcionamos pelo excesso de expectativas ou a deficiência no poder de nos permitir impressionar.
Fica claro que René alertava para o uso assumidamente constante do artifício nos jogos eletrônicos. Uma morte virtual é espetacular e até, por assim dizer, legal de se ver. Entretanto ele, que havia sido fotógrafo policial, alertava que uma morte real é seca, exata, com enumeras nuances suprimidas nas mais diversas interpretações. Contou, por exemplo, que se a vítima houvesse sido baleada, quase não havia sangramento porque, devido à alta temperatura com que uma bala calibre 22 perfura a carne, o ferimento cauteriza quase instantaneamente, causando hemorragia interna em primeira instância. Me digam aí, isto confere em seus imaginários? Já a morte por esfaqueamento, esta sim, era como se baldes de sangue houvessem sido despejados no local do assassinato. Mas é um sangue escuro e viscoso, quase preto de tão coagulado. Á noite, ele conta, assemelha-se a óleo automotivo no assoalho de uma garagem. Definitivamente não bate com a vermelhidão cenográfica. E havia o cheiro. O sentido mais dificilmente bombardeado pela manipulação exagerada da realidade. A cena do crime possuía um cheiro agridoce ou de açougue, dependendo do excesso de sangue ou vísceras expostas. Tudo isto e ele não conseguiu descrever o clima soturno de morte que paira no ar, agora sim, abstrato, e, justamente por isso, impossível de se amplificar ou mesmo suprimir. É claro que por eu (ainda bem) nunca ter tido contato com este universo, meu conceito de morte é um pouco mais glamouroso que este relato, se me permitem a infâmia. Mas nem por isso abrirei fogo contra uma platéia de cinema. Deixo a glória apenas para os desajustamos.
Por isso mesmo, tentando buscar uma experiência pessoal onde eu pudesse reconhecer algum tipo de hiper-realismo penalizante, cheguei a um acidente de carro ocorrido no Guarujá, litoral de São Paulo. Nele você está dirigindo um Gol a 110 Km/h em uma madrugada desértica. Você vê um Escort vermelho cruzar a avenida à sua frente. Você buzina e vê um motorista distraído frear de forma tardia, fazendo com que o veículo somente venha a parar por completo já no meio da pista, sem espaço para outro carro passar; O seu carro. Você tenta frear da mesma forma, mas o Escort cresce a menos de dez metros de distância. Você olha para o lado e vê sua amiga apertando o pano da calça sobre a própria coxa enquanto tenta defender o rosto com a outra. Não há música, gritos, nada. Não há tempo. Você apenas tem a lucidez de que a colisão será inevitável, e aqueles serão seus últimos instantes de vida; Quase consegue relaxar. Os bólidos se chocam. Aço vermelho se retorcendo contra o aço prateado, e o plástico do painel a das portas se despedaçando no interior do carro. Um barulho seco, cruel, mas que não dura mais de três segundos. Silêncio novamente, desta vez ainda mais angustiante. De alguma forma você está fora do carro, com a boca no asfalto gelado. Levanta-se e tenta distinguir atrás de você dois carros diferentes em meio àquela massa distorcida. Sente dor. Não falo da dor psicológica ou qualquer outra bobagem irrelevante no momento. Falo da dor física mesmo, no peito e na cabeça. Dor filha da puta. Você sente as pernas fraquejarem e os sentidos esvaecerem. Você acorda no hospital e o que sobram são estas lembranças. Nelas não há música de ação, faíscas, manobras mirabolantes e derrapagens fantásticas. Definitivamente não é "Velozes e Furiosos". O menino que tirou carta ontem ainda não sabe. Da mesma forma que eu, menino dirigindo um carro naquele Natal de 1996, também não sabia.
Sei que até aqui tudo foi muito pesado, mas é apenas para salientar o ponto certo onde o hiper-realismo consegue ser mais prejudicial, suprimindo os aspectos negativos da vida para jogar holofotes em outras irrelevâncias. Contudo, as banalidade do cotidiano também sofrem com a competição de uma realidade impossível. Peguemos o futebol, por exemplo. Qual criança ainda assiste um jogo de futebol em um estádio qualquer e se deixa tomar pela mágica (putz) do momento? Não falo da empolgação inicial das primeiras visitas, mas da tal mágica em si, algo tão difícil de explicar que não consegui arrumar outro termo mais adequado. O sentimento imaculado do torcedor fiel parece não fazer tanto sentido perante uma transmissão via-satélite por assinatura, onde podemos nós mesmos controlar replays, ângulos e tomadas para a peleja. Se bobear, em um futuro próximo, colocarão micro-câmeras até na própria bola. As novas gerações crescem dificilmente impressionáveis com todas estas possibilidades para deixar a partida ainda mais fantástica, e ninguém há de convencê-las que é melhor ver o jogo há quase meio quilômetro de distância do campo, nos escadões do Maracanã, e não no conforto de casa - a não ser pela farra. Farra somente! Apenas para os "românticos" parece óbvia a superioridade do concreto sobre o sofá, algo que me foi ensinado pelo Sr. Dario, meu pai, quando íamos assistir juntos os jogos do Peixe na Vila Belmiro.
Finalmente, porque escrevi tanto sobre o assunto? Este post, acredite se quiser, era para ser somente uma das minhas pretensas resenhas, no caso uma sobre o show do Los Hermanos no Credicard Hall, em Sampa. Seria um texto frio e calculista (impossível escrever uma palavra sem a outra acompanhando) não fosse um pequeno detalhe. Eu, acostumado a tantas apresentações ao vivo e já impregnado do hiper-realismo dos shows em DVD Surround 5.1, DTS e outras particularidades tecnológicas, já saio de casa antevendo que dificilmente ficarei impressionado de verdade, mesmo sendo minha banda nacional preferida e eu nunca tê-los visto ao vivo. Também já trago na bagagem os shows que considero os melhores da vida inteira, e não foram necessariamente pela parte técnica, uso de pirotecnia ou raridade da apresentação, mas um conjunto de coisas abstratas e inexplicáveis que me fizeram voltar para casa com tal certeza. E sobre este do Los Hermanos, quando finalmente começa, a consumação: normal. É, normal. A pequena adrenalina na entrada da banda e a euforia da primeira música com todos cantando juntos; Se é balada, a gente abraça a namorada; Se é música preferida, a gente canta de forma mais eloquente. Tudo muito prazeroso, tudo com um sorriso no rosto, mas ainda assim normal. Acredite, não falo aqui de incompetência da banda. Pela minha devida experiência já consigo discernir. É, sim, esse meu deslumbro anestesiado.
Eis que, de repente, a catarse. Percebi que um spot de luz branca muito forte e intensa, colocado atrás do palco, projetava as sombras de Amarante e Marcelo Camelo (os dois line ups da banda) em uma das laterais do local o qual estava bem próximo. Por um bom pedaço do show, talvez até músicas inteiras, eu olhava fascinado para aqueles vultos de homens e guitarras ao meu lado, dançando na parede em um show paralelo ainda mais espetacular. Posso ter sido tomado como um grande bobo, é verdade. Mas tais formas eram verdadeiras, muito mais que as imagens daqueles caras que estavam postadas diante de mim, no palco, idênticas àquelas já vistas na televisão ou qualquer outra mentira. A maior ilusão da humanidade, criada pela luz desde que esta existe – muito antes do próprio homem – comprovava que eles estavam no palco realmente, e aquilo não era um truque dos meus olhos viciados em outras ilusões, primas da vida moderna. Esta foi a maior ironia de todas, precisar de uma sombra, que nem minha era, para me fazer "presente". E o maior tesouro também: Depois de me deixar fascinar por tamanha banalidade, a certeza em afirmar que “certas coisas se perdem para sempre” não passa de uma grande bobagem. O hiper-realismo foi apenas o pretexto de uma explicação plausível para estas perdas... E de como eu, cartesiano, precisei apenas de uma sombra mamulenga na parede para ter de volta alguma ingenuidade.
Quarta-feira, Junho 23, 2004
Das coisas que eu gostaria ter escrito...
O Grito
(Renata Pallottini)
se ao menos esta dor servisse
se ela batesse nas paredes
abrisse portas
falasse
se ela cantasse e despenteasse os cabelos
se ao menos esta dor se visse
se ela saltasse fora da garganta como um grito
caísse da janela fizesse barulho
morresse
se a dor fosse um pedaço de pão duro
que a gente pudesse engolir com força
depois cuspir a saliva fora
sujar a rua
os carros
o espaço
o outro
esse outro escuro que passa indiferente
e que não sofre
tem o direito de não sofrer
se a dor fosse só a carne do dedo
que se esfrega na parede de pedra
para doer
doer
doer visível
doer penalizante
doer com lágrimas
se ao menos esta dor sangrasse
Segunda-feira, Junho 14, 2004
Quinta-feira, Junho 03, 2004
Les Enfantes Terrible
Neste fim de semana fui assistir Diários de Motocicleta, o mais recente trabalho de Walter Salles (Central do Brasil, Abril Despedaçado). É um pouco difícil iniciar uma pseudo-resenha sobre um filme dirigido por um brasileiro sem sublinhar tal fato de imediato (por motivos óbvios), ainda que isto não importe muito. Aliás, importa, porém não quero me ater a elogios ufanistas sobre o cinema nacional, até porque nenhum deles (Walter e o Brasil) está carente neste sentido. Dito isto, o filme.
A história é baseada nos diários reais de viagem do jovem Ernesto Guevara de la Serna, o "Che", à época com 23 anos e ainda muito distante do próprio mito. Pouco antes de completar o curso de medicina em Buenos Aires, Guevara juntou-se ao amigo bioquímico Alberto Granado, 29 anos, para a viagem que lhes fosse valer toda uma vida. O desafio? Atravessar o continente sul-americano em quatro meses, percorrendo oito mil quilômetros em uma Norton 500, ano 1939 (batizada carinhosamente "La Poderosa"), sob o método da improvisação.
Ao contrário do que se possa pensar, "Diários" não fala das revoluções, guerrilhas ou ideologias do ícone. Não de forma explícita. É um genuíno road movie, uma espécie de Easy Rider latino que se atem a contar um período crucial na vida do "homem" Ernesto Guevara, "El Fuser" para os chegados. Um filme onde os personagens possuem preocupações mundanas como a inevitável deterioração da motocicleta que os servia ("La Paraplégica" por consequência), dinheiro escasso para se alimentar, falta de abrigo, as constantes crises de asma de Ernesto e, é claro, mulheres. Portanto o que vemos na tela não é o revolucionário, mas um jovem, que nem rebelde era, movido por um ideal ainda sem forma, mas em vias de: a velha história da redescoberta, a viagem literal do autoconhecimento, o entalhamento de um mito e as ferramentas que moldaram seu caráter libertário. "Quero que leiam Che ao invés de comprar a camiseta", diz Salles.
Aqui é importante dizer que eu não tenho uma opinião formada sobre Che. E eu tento, juro. O problema maior é que sobre ele muito é dito e nada é absolutamente concreto - o que é perfeitamente normal visto o mito em que se transformou. Esta é a grande pedra filosofal ao desvendar a persona. Ser mito. Pode ser Jesus Cristo ou Adolf Hitler, Airton Senna ou Mohamed Ali, Napoleão Bonaparte ou Getúlio Vargas, sempre haverá pessoas dispostas a falar bem ou mal sobre cada um deles, divergindo opiniões ou distorcendo a verdade (para bem ou para mal) por anos a fio, até que esta perca a forma e reste apenas à vontade de acreditar nisto ou naquilo. Sabe-se por certo que Guevara foi um guerrilheiro duro, austero e implacável em seus métodos, mas também um homem honesto, que justificava tais atos em um senso de justiça social extremo. Tão extremo que pode ter sido a base de tanta divergência. Talvez sua mais famosa frase, "Hay que endurecer, pero sin perder la ternura", resuma o paradoxo de Che Guevara. Ninguém há de dizer que ele se comprometia movido pela ganância, poder ou dinheiro, visto que após a bem sucedida tomada de Cuba, o revolucionário abdicou o serviço burocrático proposto por Fidel para se dedicar a outras guerrilhas (Congo e Bolívia) e a condição miserável de sobrevivência nos campos de refugiados incrustados em serras e selvas. Liberdade era a palavra que o movia. Mas destruir ditaduras vigentes (a custa de muito sangue) para implantar novas, ainda que mais "sociais", é algo deveras confuso para o meu entendimento. Só não duvido de sua boa vontade. E repito se precisar.
Voltando à vaca fria, conforme a viagem ganha contornos mais humanos, a aventura cede lugar a sombra de um futuro que o jovem Fuser começa a compreender. O encontro com um casal no Deserto de Atacama e a seleção diária para trabalho pesado em uma mina de cobre, as conversas repletas de comiserações dos moradores de Cuzco, a segregação no campo de leprosos no Amazonas peruano; Tudo passa a colaborar para as mudanças interiores do "personagem", influenciando novas e inesperadas atitudes, tal qual o gesto messiânico de doar o dinheiro que também lhe faria falta. Contudo, mesmo a história sendo um prato cheio para beatificá-lo, Walter Salles não caí em tentação do maniqueísmo fácil, e faz do jovem Ernesto um personagem de boníssima índole, mas por vezes dúbio. Por exemplo, um dado momento ele aceita beber um litro de leite roubado por Granado. É um cena rasteira e até banal, mas que gera credibilidade em suas virtudes uma vez que também são salientados os defeitos. Em outra oportunidade, Che trai um marido - na verdade intenta, o que dá no mesmo. Parece bobagem, mas para um homem que refusa mentir, sob hipótese alguma (o que o coloca em alguns momentos realmente constrangedores), a atitude corrompida é gravíssima. Ao fim um "embrião de Che Guevara" faz um discurso repleto de termos como união, ausência de fronteira entre os povos latinos e paz, e tais palavras quase se contrapõem à afirmação feita para Granado nas ruínas de Machu-Pichu: "Nenhuma revolução se faz sem armas". Complexo.
Tecnicamente o filme é excelente. Fotografia belíssima e boas atuações de Gael Garcia Bernal como Ernesto Guevara e de Rodrigo de La Serna como Alberto Granado. Este último rouba a cena diversas vezes, com seu jeito fanfarrão e comentários cínicos (com ele aprendemos que xingar em espanhol é muito mais divertido). Walter também apresenta ótimos momentos, como a já citada passagem no desolado Atacama: Utilizando sucessivos closes para cadenciar o clima intimista, o espectador é transportado da cadeira do cinema para os arredores da fogueira onde os personagens buscam se aquecer do frio noturno do deserto. Pode ter sido apenas uma experiência pessoal, mas eu não lembro, ultimamente, ter "entrado" tão intensamente em uma cena. Não desta forma. No momento dos créditos, fotos reais da viagem ajudam a dar uma unidade maior com a realidade. Certamente uma ótima idéia.
Ao final não sei se o Ernesto da juventude explica, muito menos justifica, o maduro. Mas é impossível, em absoluto, não simpatizar com a história de dois jovens amigos que cruzam um continente inteiro movidos por uma moto e o velho desejo de liberdade, tão intenso que chega a doer naqueles que ousam sentir. Engana-se quem pensa que a aflição destas duas pessoas padece em outros territórios e povos. Na verdade mora dentro delas mesmas. E esta é a única e verdadeira revolução do qual "Diários de Motocicleta" trata. Volto do cinema sabendo que a Cuba de Che Guevara descansa longe, muito longe. E eu o que faço senão omitir o fato de que a minha está muito mais próxima do que eu supunha. Apenas para preservar o meu sangue.
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